Os dados são de um perfil dos mortos e
desaparecidos políticos do regime militar divulgado pelo Ministério dos
Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) nesta segunda-feira
(31), data que marca os 61 anos do golpe militar de 1964.
O
observatório da pasta analisou dados do relatório final da Comissão Nacional da
Verdade (CNV), que funcionou entre 2012 a
2014. A pesquisa considera o período de 1946 a 1988 – isso
porque, antes de 1964, 12 assassinatos políticos ocorreram devido à truculência
do Estado.
Oficialmente, o governo brasileiro reconhece que 434 pessoas foram
mortas ou dadas no período, incluindo o regime militar. Esse número leva em conta somente quem se opôs e militou
politicamente contra os governos autoritários do período.
Seis crianças
Segundo a análise, a média de idade das
vítimas era de 32,8 anos. A maioria (77,4%) tinha entre 18 e 44
anos, sendo que quase metade estava na faixa etária de 18 a 29 anos. Cinco das vítimas estavam na faixa etária de 12 a 17 anos e uma
criança de menos de um ano de idade foi morta.
das 434 vítimas, 51 eram mulheres, representando
11,8% do total;
ao menos 27 dos mortos eram militares ou
ex-militares;
os assassinatos ocorreram principalmente nas
capitais, concentrando 62,7% das mortes. Em todo o país, os crimes foram registrados em 15
estados e no Distrito Federal. As cidades de São Paulo e Rio de Janeiro foram
os principais centros de repressão, somando 47,2% das mortes, enquanto os
estados de São Paulo e Rio de Janeiro juntos concentraram 49,5% dos casos;
82,5% das vítimas eram ligadas a alguma organização
política e 37% associada a algum
partido político.
32,3% dos assassinados eram estudantes e 13,1%
operários de diversos setores;
Os jovens, principalmente os universitários, eram os responsáveis por
organizar passeatas, entregar panfletos e se reunirem para discutir a
democracia. Por isso, eram enxergados pelo Estado como ameaças, caso os
movimentos não fossem reprimidos”, disse Eneá Almeida, presidente da Comissão
de Anistia.
Segundo o MDHC, 351 casos de mortes e
desaparecimentos, ou 80,8% do total, ocorreram após a instituição do Ato
Inconstitucional 5. Na ocasião, o governo restringiu as
atividades no Congresso Nacional e restringiu a liberdade de expressão,
imprensa e associação.
O AI-5 foi um dos principais instrumentos de repressão utilizados pela
ditadura militar brasileira e teve um impacto profundo na história do país.
“Até dezembro de 68, muita gente acreditava que a ordem seria
estabelecida e que o governo autoritário sairia do poder. Com a instituição do
AI-5, a população tomou conhecimento que as repressões iriam aumentar, por isso
as pessoas passaram a engajar mais nos movimentos sociais”, afirmou Eneá.
Número de vítimas é muito maior
A presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos,
colegiado que segue funcionando há quase 30 anos – com uma breve interrupção ao fim do governo Bolsonaro –,
Eugênia Gonzaga, já explicou que o número total de vítimas da
ditadura é muito maior: mais de 10 mil pessoas. Nem todas receberam
a classificação de mortos políticos.
De acordo com ela, que também é procuradora regional da República,
apesar do número oficial, outros relatórios da CNV mostram que mais de 8 mil indígenas e 2
mil trabalhadores do campo também foram mortos em embates ligados ao regime
militar.
Guerrilha
do Araguaia
A análise do Ministério dos Direitos Humanos informa que houve um
aumento das mortes registrado de 1969 a 1978 devido à Guerrilha do Araguaia,
cujos membros eram integrantes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).
"Esse
partido foi a organização que teve o maior número de militantes assassinados,
totalizando 79 pessoas, o que representa 18,2% do total de mortes levantadas
pela CNV. A Ação Libertadora Nacional (ALN), a segunda organização com mais
mortes e desaparecimentos, teve 60 militantes mortos, o que equivale a 13,8%
das vítimas, seguido pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), também um dos
principais alvos da repressão, com 41 pessoas assassinadas (9,4% de todas as
pessoas mortas e desaparecidas)", diz a pesquisa.
Fonte: https://g1.globo.com/politica/noticia/2025/03/31/estudantes-operarios-jovens-e-moradores-das-capitais-o-perfil-das-vitimas-da-ditadura-militar-no-brasil.ghtml Acesso em 01/04/2025.
0 Comentários